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Descobrindo a cidade soterrada de Pompeia

Amigos, em uma de minhas últimas visitas à Itália com minha família, aproveitamos para passear pelo sul do País. Em nossa parada em Nápoles, achamos interessante levar os meus netos para conhecer Pompeia.

Tenho que ser sincera, quem mais aproveitou este passeio foram os adultos. Eu, meu filho e minha nora, andamos por aproximadamente três horas e meia sob um sol escaldante e ficamos fascinados por termos, literalmente, emergido no cotidiano de uma cidade romana, pela beleza do lugar e pelos relatos de nosso guia.

A viagem de Nápoles a Pompeia é rápida, são apenas 22 km de distância entre as duas cidades. No território do atual município de Pompeia, a antiga cidade foi destruída durante uma grande erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C.. Foi soterrada por uma chuva de cinzas – e não pela lava – que cobriu em seis metros de altura a cidade durante a erupção do vulcão.

Contam os antigos que erupção começou por volta das 10 horas da manhã do dia 24 de agosto e durou o suficiente para cobrir a cidade e matar boa parte de seus moradores soterrados ou asfixiados pela fumaça tóxica.

O último dia de Pompeia, de Karl Briullóv

O único relato que existe desta tragédia foi escrito por Plínio, o Jovem político e governador de Bitínia, que morava em Nápoles na época da tragédia. Seu tio-avô, Plínio, o Velho, grande naturalista, morreu ao tentar observar a erupção do Vesúvio de barco.

Por um longo período, o relato da destruição feito por Plínio, o Jovem, de tão impressionante, foi desacreditado. Quando ficou comprovado que a sua história era verdadeira, as erupções explosivas passaram a ser chamadas de erupções plinianas, em sua homenagem.

Durante nosso passeio pelas ruas da cidade ficamos surpresos com tantas revelações, como no momento em que passei pelo Jardim dos Fugitivos. Nele encontramos moldes em gesso dos corpos de homens, mulheres, crianças e animais, na posição em que se encontravam no momento em que agonizavam pela intoxicação desta fumaça tóxica da erupção.

A cidade manteve-se oculta por 1.600 anos, apesar de seu território ter sido sempre chamado de Civitá e ter sido utilizado como pedreira por um longo período, tendo sido reencontrada por acaso, primeiro em 1.599, sem empolgação, e depois em 1.748. Desde então, as escavações proporcionaram um sítio arqueológico extraordinário, que nos oferece uma visão detalhada da vida de uma cidade dos tempos da Roma Antiga, bem conservada graças às cinzas e lama que protegeram as construções e objetos dos efeitos do tempo.

Pompeia foi um importante centro comercial, com 30 mil habitantes e um respeitável porto, com comércio bastante ativo e que atraia muitos estrangeiros. O seu mercado chamava-se Macellum, e ali se vendia, entre outros, lã, vinho e azeite, especialidades da produção local.

O vinho mais conhecido produzido até hoje na cidade, é o raro Villa dei Misteri, feito com uvas produzidas em pequenos vinhedos que ainda existem em Pompeia.

Assim como Roma, Pompeia era uma cidade moderna. Para que vocês tenham ideia, o anfiteatro – em particular – foi citado por estudiosos modernos como um exemplo de design sofisticado, mais precisamente no quesito de controle de multidões.

A infraestrutura era tão avançada para época que o aqueduto era ligado aos três encanamentos principais do Castellum Aquae, onde a água era coletada antes de ser distribuída à cidade. As termas, que tem salas de banho frias, quentes e mornas, são outro exemplo desta modernidade. Os romanos inventaram um sistema de aquecimento de água das termas pelo subsolo, reproduzido e aperfeiçoado pelos pompeus.

Entre as muitas heranças que nos deixaram, o forno é uma delas. Eu mesma tenho na fazenda um forno muito parecido com o que vi em Pompeia. Os pães, cuja forma também não se difere muito de alguns que comemos até hoje, eram cozidos em fornos domésticos a lenha, feitos de tijolos.

Tenho que destacar também a forma com que divulgavam as atividades comerciais. Como marqueteira e fotógrafa a comunicação visual utilizada pelos pompeus era de impressionar.

A cidade transborda erotismo. Os bordeis, sendo o mais conhecido o Vico Del Lupanare, eram fontes de grande prazer na vida dos habitantes da e também dos estrangeiros.

Acima de cada um dos quartos do bordel, havia o desenho da “especialidade” da meretriz, ou seja, sua posição sexual favorita.

Caminhando pela cidade vemos desenhos de pênis nas pedras das ruas, como se indicassem o caminho que os homens deveriam seguir até estas casas.

Vale ressaltar, no entanto, que o falo era considerado sinal de riqueza e boa-sorte naquela época, de modo que existiam esculturas e desenhos do ‘membro’, não apenas em bordeis, mas também na fachada de casas de família.

Que passeio espetacular!Poderia falar até amanhã sobre tudo o que vimos, mas fico por aqui, recomendando a todos este maravilhoso passeio.

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Por: Silvana Tinelli

Nascida no Egito, mas com o coração dividido entre a Itália e o Brasil, Silvana Tinelli faz de tudo um pouco. Em sua rotina dinâmica, Silvana se divide entre suas paixões: a arte, a criação de suas cerâmicas, as viagens - com segredos que só ela conhece - os eventos com seus amigos, a fotografia e a gastronomia.