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Os dois caminhos do Brasil

Hoje temos uma oportunidade poucas vezes encontrada em nossa história. Um tipo de oportunidade que só aparece depois de uma crise severa: a de não ter outra opção além de fazer a escolha certa.

A última grande oportunidade que o Brasil teve foi de 2002 a 2011 quando o crescimento da China puxou o preço das commodities e colocou o país na capa das mais renomadas revistas de economia do mundo. Poderíamos ter aproveitado essa época para fazer reformas, investir fortemente na infraestrutura e na educação, mas não foi isso que aconteceu. Em tempos de prosperidade sempre se podem adiar as escolhas difíceis.

Lula resolveu usar essa alavanca e montou um sistema de crescimento sustentado em um tripé: alta de commodities, expansão do crédito e aumento do consumo. Porém, depois de 10 anos, o crédito chegou ao seu limite, a China desacelerou e, por consequência, o desemprego, que segura a perna fraca da equação (o consumo), subiu para níveis históricos. A fragilidade das nossas contas públicas ficou exposta e a inflação foi caminhando para dois dígitos.

Para agravar o quadro, durante o Governo Dilma, todas as experiências malsucedidas do passado foram colocadas em prática: congelamento de preços, manipulação de dados econômicos, aumento explosivo dos gastos e do crédito, baixos retornos para projetos de privatizações e concessões, uso das estatais para fazer política.

Com isso voltamos às capas das revistas econômicas, mas de dessa vez pelas razões erradas.

Porém, é durante as crises que os caminhos políticos se abrem. O novo governo colocou como meta estabilizar a dívida e a credibilidade econômica. Finalmente as escolhas difíceis estavam sendo tomadas.

Foi aprovada a reforma trabalhista e o teto para os gastos. A reforma da previdência foi colocada em pauta. O banco central e a equipe econômica voltaram a ter credibilidade, os investidores se acalmaram, e a inflação caiu para perto de 2% ao ano, algo impensável para o nosso país.

Mas o trabalho não ficou completo. Em meio às várias denúncias de corrupção, as reformas pararam e o crescimento, que havia retornado, não conseguiu passar de 2,5%. Voltamos a viver sobre a sombra de uma dívida que não para de crescer até que seja feita ao menos uma reforma da previdência de qualidade.

Hoje os investidores, peça fundamental na retomada do PIB, estão com capital parado, de olho na corrida presidencial e nos discursos dos presidenciáveis. Porém, talvez as reformas necessárias independam do candidato, já que seria impossível governar sem elas. Quem sabe, desta vez, essa decisão seja um pouco mais fácil de seguir, já que não temos outra opção além de escolher o caminho certo.

 

 

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Por: Luigi Micales

Luigi Micales é gestor de investimentos, analista financeiro e de risco pelo New York Institute of Finance e economista pela PUC- SP.