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Minha História na Política

Por Thereza Collor

Eu sou uma mulher que completou 55 anos com muita satisfação pessoal. Fiquei viúva muito cedo, criei dois filhos maravilhosos, tenho uma vida confortável, um segundo casamento feliz, um histórico de luta contra a corrupção. Foi há pouco mais de três meses que deixei a minha zona de conforto para entrar em um campo que eu sempre evitei: a política. Quero contar para vocês um pouco desta minha nova experiência aqui no espaço da querida Silvana Tinelli. Não venho para pedir votos, nem poderia. Mas gostaria de compartilhar com vocês um pouco dessa minha vivência para que a gente possa refletir juntos sobre os espaços da mulher brasileira na política.

Depois de uma longa luta interna, recusando convites ao longo dos anos, eu decidi aceitar o desafio de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSDB de São Paulo, sendo que eu já estava filiada ao partido em Alagoas há mais de vinte anos. Não faltaram amigos que me disseram para não entrar nesse universo. Mas desde o ano passado, com a Operação Lava Jato, tenho sentido um desejo profundo de voltar à luta contra a corrupção. Depois de tudo o que já fizemos na década de 90, o Brasil não conseguiu colocar freios na corrupção. Daí foi um novo despertar para mim.

Imaginem uma mulher com a minha história, chamada até de socialite, entrando nesta arena embrutecida que é a política. Sou de uma geração em que a mulher, quando apareceu ao lado do marido bancando uma denúncia pesada contra um presidente da República da nossa própria família, era chamada de “musa do impeachment” e ganhava muito destaque na imprensa até pelas roupas que vestia. Claro que não me incomoda o apelido, a história me honra, mas nós somos muito mais que as roupas que usamos ou a aparência que temos. Hoje tenho ganhado destaque também pelo trabalho que prestei ao Estado de Alagoas, pelas minhas ideias, pelo meu desejo de ajudar a melhorar nossa política, nosso país. É chegado o momento de a mulher ser mais valorizada por sua capacidade de fazer política e atuar na linha de frente das instituições.

Como mulher e historiadora, eu sempre soube que a política institucional é um campo masculinizado em todo o mundo. Mas eu não imaginava realmente como seria enfrentar esse meio. Pois estou surpreendida com os fatos. O machismo brasileiro é mais profundo do que eu imaginava. Nunca fui feminista radical, porque não gosto de extremismos. Mas sou mulher e, como todas elas, sei muito bem o que é ser discriminada pelo gênero. Não radicalizarei porque não é o meu perfil, nem penso que seja o melhor caminho. Mas precisamos realmente dialogar muito para promover mudanças. É claro que quando falo do machismo, não incluo todos os homens nem excluo todas as mulheres.

Com esta minha incursão pelo mundo da política, com a pré-candidatura a deputada federal em São Paulo, tenho observado que há uma forma estabelecida de exclusão feminina. Em todos os partidos. Muitas candidatas são colocadas como “laranjas”, apenas para cumprir as cotas de 30% dos partidos. Outras são reverenciadas como “escadinhas” para puxar votos. Ainda temos que estar atentas para a distribuição das verbas pelas cotas. Há uma raridade de mulheres com voz nas reuniões executivas. É comum que subestimem nossa inteligência e nossa capacidade de trabalho.

De todo modo, nós temos muito mais problemas do que eu imaginava. Observando os dados do IBGE, por exemplo, notamos que as mulheres brasileiras têm maior formação escolar que os homens, e, mesmo assim, ganham muito menos que eles. Na média geral, uma profissional brasileira ganha 25% a menos que um profissional. Nas maiores empresas brasileiras, a média de mulheres nas lideranças é de 13%. E outro dado que chama a atenção: o Brasil é hoje um dos cinco países mais violentos para as mulheres em todo o mundo, segundo a ONU. São 12 assassinatos de mulheres por dia, um a cada duas horas. Sendo que 25% delas foram mortas por mera questão de gênero!

E então eu reflito: tudo isto acontece porque nós, mulheres, temos uma representação muito baixa na política. Nós ocupamos apenas 11,5% do atual Congresso Nacional. Temos representação menor que a do Afeganistão. Então, penso que nós precisamos avançar neste sentido. É necessário tornar essa arena mais feminina. Se não mudarmos a política institucional, como poderemos mudar a economia, a segurança?

Façam as contas comigo: no Brasil somos 52% do eleitorado nacional e elegemos um décimo das cadeiras do Congresso. Não penso que é preciso eleger apenas mulheres. Aliás, mulher só votar pela identidade de gênero nem seria correto. Mas é necessário que as eleitoras decidam seu voto com base nas plataformas dos candidatos, pensando também no próprio gênero e nas necessidades de políticas focadas na situação feminina. Não é possível mais dar tanto espaço para agendas que não observem a necessidade de valorização feminina.

Assim, tenho tentado construir uma plataforma de luta contra a corrupção, pensando em projetos de lei que melhorem a qualidade da nossa política. Mas tenho refletido muito também sobre propostas para melhorar a condição feminina no Brasil. Por isto, peço que vocês reflitam comigo e me ajudem a desenvolver propostas cabíveis para que a maioria do eleitorado seja bem representada.

Eu recebo sugestões pelo meu e-mail therezacollor2018(Substitua este parenteses pelo símbolo @)gmail.com, no Facebook ou no Instagram @therezacollor.

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Por: Thereza Collor

Historiadora de formação e apaixonada pelo Brasil, Thereza é pré-candidata a deputada federal por São Paulo pelo PSDB.