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Festival de Cannes visto de dentro

O 71º Festival de Cannes, que teve seu início dia o8, irá até 19 de maio, quando centenas de filmes de todos os países terão sido apresentadas pela primeira vez aos críticos e profissionais de cinema, em busca de prêmios, reconhecimento e contratos de distribuição mundo afora.

O júri, presidido por Cate Blanchett, se mostrou aberto a pautas políticas, mas não buscava um “prêmio da paz”, como disse Blanchett.

A representatividade das mulheres na indústria do cinema foi tema da coletiva do júri que neste ano é majoritariamente feminino: além de Cate, estão a atriz americana Kristen Stewart, a atriz francesa Léa Seydoux, a roteirista e cineasta americana Ava DuVernay e a cantora e compositora burundiana Khadja Nin.

Festival de Cannes

Dos nove integrantes, quatro são homens: o ator taiwanês Chang Chen, o diretor canadense Denis Villeneuve, o cineasta francês Robert Guédiguiam e o realizador russo Andrei Zvyagintsen. Cate enfatizou a importância desse momento como marco da luta feminista.

No novo formato do festival, a imprensa, que antes via os filmes antecipadamente, teve de vê-los com o público, mas não na mesma sala. Com isso o fator surpresa ficou garantido até a última hora.

A primeira experiência ocorreu na abertura com o thriller psicológico, em língua espanhola, do iraniano Asghar Farhadi, “Todos lo Saben”, com Penélope Cruz, Javier Barden e o argentino Ricardo Darín. Foi a mais inesperada de todas, em muito tempo.

Houve momentos de tensão na coletiva de “Todos lo Saben”. Um jornalista chileno perguntou a Javier Barden como se sentia ao ser o único homem a gostar de trabalhar com sua mulher, Penélope Cruz. Barden recusou-se a responder dizendo que a pergunta era de mau gosto. Já Penélope levou na esportiva quando outro jornalista quis saber, nessa era de empoderamento feminino e luta pelos direitos, quem ganhou mais no filme do iraniano Asghar Farhadi. “Na verdade ganhamos a mesma coisa”, disse.

O homenageado do 71º Festival de Cannes é o francês Jean Luc-Godard e seu “Pierrot Le Fou”, que passou no Brasil como “O Demônio das Onze Horas” (1965).

“Nada, exceto o silêncio; nada exceto uma canção revolucionária”. A descrição etérea é tudo que se sabe sobre “Le Livre d`Images”, o novo filme do octogenário Godard, um dos 21 títulos que competiram no Festival de Cannes.

Godard encabeça uma lista de habitués do certame francês. Nomes como o já citado Asghar Farhadi, Jia Zhang-ke, Hirokazu Kore-eda e Matteo Garrone voltaram neste festival a disputar a Palma de Ouro.

Em “Dogman”, o italiano Garrone tornou a explorar a violência de gângsteres que ele já retratou em “Gomorra”.

O americano Spike Lee, que competiu com “Febre da Selva” (1991), agora volta para a competição com seu BlacKkKlansman, baseado na história real do policial negro que se infiltrou no Ku Klux Klan. Na exibição do filme, ele foi aplaudido de pé por 8 minutos.

Porém, quase metade dos diretores na disputa nunca competiu pela Palma de Ouro. É o caso, por exemplo, do americano David Robert Mitchell com seu thriller/comédia de humor negro “Under the Silver Lake”.

O Brasil não compete a Palma de Ouro neste ano, mas três longas nacionais integram o festival. Cacá Diegues viu seu mais recente filme “O Grande Circo Místico”, estrear em sessão especial. É uma homenagem ao alagoano de 77anos que já competiu três vezes em Cannes.

Na terça-feira da semana passada, dia 08, Martin Scorsese recebeu a Carrosse d`Or da Société des Réalisateurs, e lembrou seu começo em Cannes. Foi em 1974, quando veio com Robert De Niro para apresentar “Esquinas Perigosas”.

Enfim, para os cinéfilos, não existe melhor lugar no mundo do que estar agora em Cannes e ver tudo isso e mais um pouco.

 

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Por: Elzinha Lucchesi

A jornalista Elzinha Lucchesi atuou como jornalista de moda em várias revistas, incluindo a Vogue e deu consultorias de estilo a diversas empresas. Hoje escreve sobre cinema: dá dicas e comenta os melhores filmes do mês e também dos Festivais.