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Fui à mostra de Iberê Camargo e Francisco Stockinger

Amigos, no sábado passado eu fui ver uma exposição conjunta de Iberê Camargo e Francisco Stockinger. Em comum, eles eram amigos e artistas brilhantes. Um, artista plástico e o outro, escultor. Eu adorei o resultado das obras dispostas juntas e recomendo a visita, como vocês podem ver no vídeo acima.

Segundo o crítico de arte e curador José Francisco Alves explica no catálogo da exposição, Iberê Camargo e Francisco Stockinger eram “dois artistas e intelectuais inquietos, homens de opiniões fortes, que exerceram grande influência artística e pessoal em seus contextos”.

Eu fui mais a fundo no catálogo para entender a trajetória dos dois. Suas vidas seguiram caminhos opostos: Iberê saiu do Rio Grande do Sul para fazer a carreira que sempre quis no Rio e dedicou-se unicamente ao objetivo de se construir como pintor. Já Stockinger viu sua carreira de escultor avançar no Rio Grande do Sul depois de ter se envolvido com aviação, desenho de imprensa, ensino de gravura, gestão cultural e até o estudo de cactos.

mostra Iberê Camargo e Francisco Stockinger

Em sua trajetória, Iberê Camargo encontrou seu mestre em Alberto Guignard (1896-1962). “Dali em diante, Iberê produziu cada vez mais e logo passou a expor, nacional e internacionalmente, crescendo como artista relevante. Foi um período de busca de caminho, e, como ele mesmo mencionou em suas memórias, tentando escapar das ‘influências poderosas de Portinari, Segall e Utrillo’”, explica José Francisco. Depois, passou uma temporada em Paris e em 1951 viu acontecer sua primeira mostra individual no Museu de Arte Moderna de Resende, interior do estado do Rio de Janeiro. Outro momento marcante foi a Bienal de São Paulo de 1961, onde foi agraciado com o prêmio de Melhor Pintor Nacional. Sua arte abstrata se tornou uma marca registrada e, em 1966, teve a sua maior realização internacional ao pintar o painel para a sede da Organização Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça. “A partir dali, adentrando nos anos 1990, um Iberê totalmente focado nas próprias fantasmagorias, na figuração retomada em plenitude, pintada em fúria, pura vitalidade em camadas e mais camadas de tintas, das profundezas do coração”, diz o curador.

mostra Iberê Camargo e Francisco Stockinger

Já Francisco, nascido na Áustria, veio para o Brasil aos 4 anos com sua família. Chegou ao Rio Grande do Sul somente aos 35 anos de idade, o que mudou sua trajetória – visto que se tornou um expoente da arte sulista. Apaixonado por quadrinhos e por pilotar aviões, experimentou outros universos antes de se dedicar de vez às esculturas. Já vivendo no Rio de Janeiro, alugou um ateliê junto com o pintor Cláudio Correia e Castro (1928-2005). “O ateliê ficava num casarão em Botafogo, onde também havia os ateliês de Di Cavalcanti (1897-1976), Ado Malagoli (1906-1994) e Darel Valença Lins (1924-2017). O ambiente carioca, intelectual e boêmio, também proporcionou um convívio maior de Stockinger no universo da arte nacional”, diz o crítico de arte José Francisco. Anos mais tarde, ele trocaria o Rio por Porto Alegre e estaria prestes a conhecer Iberê.

Em 1960, Iberê Camargo esteve na capital gaúcha para ministrar um curso de pintura promovido pela prefeitura. Foi então que o pintor cunhou o polêmico termo “marasmo cultural”, referindo-se à capital gaúcha. A comunidade local, ofendida, organizou no Teatro de Equipe um debate, tendo como convidados, entre outros, Iberê Camargo e Francisco Stockinger. Nascia a amizade entre os dois. Coincidentemente, nesse período começou a nascer o escultor Stockinger, que passou a fundir peças de bronze no quintal. “O que brotou desse processo precário foram figuras disformes, aproveitando o artista para chamar a atenção para a precariedade humana, para os absurdos das atitudes do Homem”, descreve José Francisco Alves. Trabalho que encanta até hoje, como a série “Gabirus”, de 1995, que eu amei na exposição. E então, amigos, ficaram curiosos? Então anotem: a mostra fica em cartaz até 27 de outubro na Galeria Frente, aqui em São Paulo.

 

 

Fotos: Divulgação/Galeria Frente

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Por: Silvana Tinelli

Nascida no Egito, mas com o coração dividido entre a Itália e o Brasil, Silvana Tinelli faz de tudo um pouco. Em sua rotina dinâmica, Silvana se divide entre suas paixões: a arte, a criação de suas cerâmicas, as viagens - com segredos que só ela conhece - os eventos com seus amigos, a fotografia e a gastronomia.